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25 de julho de 2010 às 13:36 hs.

Como passou o tempo

João Bosco Leal

Sempre me disseram que a vida passa muito rapidamente, mas não sabia que era assim, tão rápido. Nem percebi e, agora, com cinquenta e seis anos, dois filhos e quatro netos, percebo mais claramente, nos pequenos detalhes, como já estou na segunda metade da vida.

Não que não soubesse disso. É claro que uma pessoa com minha idade já passou da metade do que, cronologicamente, teria para viver. Mas não é à idade cronológica que me refiro, e sim às mudanças que estão ocorrendo à minha volta, que me fazem pensar em como já estou “ultrapassado”.

Quando criança, ou mesmo quando adolescente, nas escolas ou em casa, tínhamos regras e horários para brincar, estudar ou qualquer outra atividade. Todos se dirigiam aos mais velhos como “senhor”, independentemente do grau de conhecimento ou parentesco. Isso fazia com se mantivesse um determinado senso hierárquico, dentro ou fora de casa, que a meu ver ajudava muito na educação e formação do caráter dos jovens.

Desde o primário, todos ficavam de pé quando o professor entrava na sala de aula e só se sentavam quando este autorizava. Quarenta anos atrás eu frequentava aulas na faculdade de paletó e gravata, exigência que só acabou em minha época, depois de muita cobrança do diretório acadêmico dos alunos daquela faculdade. Era um absurdo, num país com o nosso clima, mas era a regra, “em respeito aos mestres”.

Alguns anos depois, a “igualdade” tão sonhada pelas mulheres tirou-as de casa para o trabalho e as crianças passaram a ficar aos cuidados de avós, de babás ou de creches. Talvez por “culpa”, esses pais mais ausentes do convívio diário com os filhos, começaram a “ficar com dó” de repreender um filho mais rispidamente quando necessário, ou até de dar-lhes uma boa palmada, pois só viam os mesmos à noite e, então, como “recompensa” por sua ausência, eles começaram a “fazer concessões”, que não existiram na sua própria educação.

Atualmente, crianças e jovens não são cobrados por regras, horários, nem por respeito, seja com os seus, os próximos ou com estranhos. Passam o dia diante de uma televisão, um computador ou um jogo eletrônico qualquer, mas de estudar ou praticar esportes, nada. Tudo que os filhos fazem atualmente é “lindo”, porque é “novinho”, “ainda é jovem”, “a juventude é assim mesmo”, ou “com a idade isso passa”. As meninas dormem na casa dos namorados e vice versa, e tantas outras “diferenças” de meu tempo que não conseguiria resumir.

Penso que as consequências são visíveis em todas as camadas sociais. Têm sido muito frequente os casos de filhos que não respeitam os pais, chegando a agredi-los tanto verbal como fisicamente, o mesmo ocorrendo entre alunos e professores. Não se vê mais respeito algum com nenhuma pessoa mais velha e nenhuma espécie de hierarquia social. Todos são “você”, “tio”, ou qualquer outra designação do gênero. Parece ser uma bobagem, a diferença entre chamar alguém de “você” ou “senhor”, mas aí começa a ser quebrada, para a criança, a diferença hierárquica que ela deveria entender haver entre ela, seus pais e os mais velhos. Esta é a base da boa educação.

Agora, um projeto de lei recentemente assinado pelo presidente Lula pretende proibir qualquer tipo de repreensão física aos filhos, taxando de “crime” até mesmo uma simples palmada, que nunca fez mal a ninguém da minha geração ou de todas as outras que nos antecederam nos milhares de anos. Será uma nova experiência na maneira de se educar filhos e, por consequência, de se criar uma nova sociedade. No meu tempo, já “passado”, experiências eram feitas com animais, cobaias, e não com seres humanos, menos ainda com filhos.

Ainda bem que já não estarei aqui, pois não quero ver os resultados.

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8 Respostas para “Como passou o tempo”

  1. Washington Teixeira disse:

    João,
    Ainda não fiz 50, mas falta pouco. Percebí “como o tempo passa” depois que tive que parar com o futebol, que era de duas vezes por semana e com a prática do box tailandês. A Gôta me pegou na curva e agora é Allopurinol todo dia. Hahahahahaa


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  2. Abreu disse:

    Caro João,

    “O tempo passa, o tempo voa” — mas só nos ultrapassa quando partimos.

    Por isso, a educação que é algo que recebemos e transmitimos dentro de casa não está sujeita ao que terceiros queiram nos impor.

    Há pais e mais — bem sabemos — que “não têem tempo” para seus filhos e esperam que a escola e/ou a vida os eduquem. À esses tais, possivelmente, sejam necessárias leis até para dizer como trocar as fraldas, como alimentar e como “educar” as crias. Contudo, creio que só para esses.

    Saudações,


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  3. Marc Aubert disse:

    Só tem menino novo nesses comentários!
    Magine eu com meus 68 anos vendo e padecendo as mazelas decorrentes dessa tal de liberalidade educacional doméstica.
    Nunca levei um tapa de meus pais; meus avó, nascidos no séc. XIX não admitiam castigos físicos; nem por isso deixei de respeitar a liturgia do respeito às pessoas, da família ou não.
    Quando criança, o que tinha que ser feito era feito e bem feito e sem discussão; não tinha nem más nem meio más.
    Aprendi, sem traumas, que direitos requerem deveres, coisa que hoje não existe.
    Minhas filhas ainda herdaram um pouco dessa filosofia; infelizmente, meus netos estão desandando, apesar das advertencias.
    Fica dificil enfrentar internet, Tv e colegas de escola.
    Somos burros e ignorantes, pelo menos por enquanto.


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  4. Calvin disse:

    Atenção administração do blog. Só agora me dei conta de uma anormalidade.
    Nesta noitinha de domingo coloquei comentários em três charges e não apareceu nenhuma linha na janelinha “Últimos comentários”. Aí tem coisa…
    Vim neste tópico para testar se tem problema também.


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