(Adriana Vandoni) Em entrevista ontem à jornalista Patricia Sanches do RD News (leia abaixo), o novo presidente do TJMT, José Silvério (foto) disse que tem consciência da dificuldade que terá para enfrentar os graves problemas do TJ até que a credibilidade seja restabelecida. Ponderado, sereno e firme, o desembargador foi muito claro quando perguntado sobre as pressões que pode sofrer: “Meu compromisso é com a legalidade e não com a facção”.
E as pressões hão de vir, mesmo concordando com o presidente quando disse em outra entrevista, que no TJ existe uma maioria que é íntegra e que desempenha suas funções dentro da legalidade, acredito que ele tenha usado o termo correto ao se referir ao grupo de mercadores de sentença: facção. Os maus ainda estão por lá, o mercado de sentença é real e a negociação começa exatamente na distribuição do processo.
Ontem um advogado de Mato Grosso entrou em contato com o blog e disse que queria contar um fato ocorrido com ele quando ainda era estagiário e “paguei um juiz”.
Como?
“Era véspera de natal e o juiz estava de plantão. O escritório me mandou lá para pegar o despacho autorizando a substituição da penhora (de dinheiro para bem imóvel) e ir até o banco sacar imediatamente o dinheiro antes penhorado. Era uma merreca, cerca de vinte mil reais.
Um assessor me encaminhou à sala do juiz. Sério, a cabeça baixa o tempo todo, não trocou mais de quatro ou cinco palavras comigo. Assinou a decisão e chamou seu assessor para que me acompanhasse até o banco.
Sacado o dinheiro, segui a orientação do escritório para o qual trabalhava e entreguei ao assessor três mil reais. No caminho de volta para o Fórum ele comentou com a maior naturalidade:
- Este é um ‘agrado’ por estarmos trabalhando no natal. Dois mil para o doutor e mil pra mim.“
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Silvério quer acabar com regalias a magistrados por não servir a facções
Por Patrícia Sanches para o RD News
O presidente do Tribunal de Justiça José Silvério Gomes diz ter consciência de que o Poder Judiciário de Mato Grosso enfrenta a sua pior crise e que o caminho dele será cheio de espinhos para tentar recuperar a imagem desgastada. Mesmo em meio a um caminho sinuoso e cheio de problemas, o magistrado promete dizimar o nepotismo, pagamentos irregulares e regalias concedidas a magistrados e servidores. “Tudo que não podia acontecer, não vai mais ser feito aqui dentro. Vou moralizar esta Casa e mostrar que o Tribunal está aqui para servir à população”, garantiu Silvério.
O desembargador tem consciência de que vai mexer com os interesses de muita gente, mas afirma não ter medo de pressões. “Meu compromisso é com a legalidade e não com a facção”, disse. Pondera que não será fácil indeferir os pedidos dos desembargadores e servidores, mas que isso será necessário para recuperar a imagem do Judiciário. “Tenho certeza de que eles entenderão, porque todos os desembargadores estão unidos para recuperar a imagem do Judiciário”.
José Silvério foi eleito presidente tampão do TJ em 3 de março, após o CNJ determinar a aposentadoria compulsória do ex-presidente Mariano Travassos e de outros nove magistrados. Todos são acusados de desviar R$ 1,5 milhão para a maçonaria e já recorreram para tentar reverter a situação. Como três desembargadores foram aposentados, segundo Silvério, pelo menos mil processos estão sendo redistribuídos.
Desde a punição dos magistrados, escândalo que teve repercussão nacional por se tratar de uma das punições mais rigorosas a juízes e desembargadores da história do Brasil, uma série de acontecimentos vem colocando em “xeque” o sistema judiciário, principalmente depois que se tornou pública uma investigação que corre em segredo de Justiça, onde é apurado um suposto esquema de direcionamento de processos e venda de sentenças. De acordo com investigações, que correm em sigilo no Superior Tribunal de Justiça (STJ), a distribuição dos processos era burlado para que fossem encaminhados a determinados juízes.
Conforme indícios, parentes de magistrados , assim como lobistas e advogados, fariam parte do esquema e o preço cobrado pela fraude variaria de R$ 10 mil a R$ 60 mil. O suposto esquema foi descoberto durante a gestão do desembargador Paulo Lessa e no STJ é relatado pelo conselheiro João Otávio Noronha. Na semana passada, em um novo episódio, um servidor foi flagrado em atitude suspeita mexendo no computador onde ocorre a distribuição do processo exatamente no momento em que o procedimento era realizado. Ele já foi exonerado do cargo.






















Haja rodo e desinfetante para limpar toda essa sujeira.