Nesse último dia 27, escrevi sobre a falta de dignidade e de honra que os atuais políticos apresentam, tendo citado o exemplo de Getúlio Vargas, que mesmo com seus inúmeros e danosos defeitos, por vergonha e para manter a honra, teve a coragem de suicidar-se. (leia aqui).
Hoje me encho de orgulho ao ler um artigo do jornalista mineiro Murilo Badaró (foto), político, que foi deputado Estadual, Federal, Senador e ministro de Estado. Além disso, pesquisador escritor que se especializou em mineiros ilustres, com destaque para três de suas obras: José Maria Alkimim, uma biografia – Gustavo Capanema – a revolução na cultura e Milton Campos, o pensador liberal. Badaró atualmente ocupa a presidência da Academia Mineira de Letras.
Posso dar-me até a pretensão de imaginar, que meu artigo se ampliado e escoimado de imperfeições, tenha no âmago, o mesmo princípio que ele divulga em seu “Governantes e a palavra empenhada”, abaixo segue um resumo:
“Minha geração foi educada sob a influência dos “contos das mil e uma noites” e a consagração solene da fórmula ética de que “palavra de rei não volta atrás”.
Assim fomos civilizados e muitos conseguiram o milagre de manter pela vida afora a força do aforismo moral de tanta significação.
Com o avanço do modernismo, a revogação de princípios e conceitos em nome de um progressismo desvairado, houve natural afrouxamento moral e a quase invencível decadência dos critérios que, pelo tempo afora, criaram em torno dos valores axiomáticos e as luminosidades das verdades, consolidando-as tão eternas quanto as verdades matemáticas.
Hoje em dia, a palavra de políticos, homens de governo, como diz o caboclo, é “como risco de cobra n’água”.
Sobretudo depois que governantes estabeleceram uma espécie de censura sobre os meios de comunicação pela via da publicidade indecorosa, que impede o semear de críticas e por outro lado promove o endeusamento do titular do governo.
Um processo perverso e grotesco, feito à custa dos tributos pagos pela população para fazer crer na infalibilidade do chefe, atribuindo-lhe virtudes e qualificações que estão distante da realidade.
No outono de longa vida pública, a memória me coloca diante de figuras que respeitaram apaixonadamente estes limites éticos.
Há ainda neste cenário penumbroso e carregado de dúvidas homens sérios e de palavra firme. Mas estão acanhados diante da maré montante da mentira e do embuste.”
Murilo Badaró disse tudo.
(*) Fonte: O Tempo (Belo Horizonte-MG)





















