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9 de fevereiro de 2010 às 08:00 hs.

Os coronéis

Gabriel Novis NevesPor Gabriel Novis Neves

Certa ocasião eu perguntei a meu pai o motivo de Cuiabá possuir tantos coronéis sem cara de coronel. Geralmente eram senhores idosos, que nunca usaram farda ou tiveram vida militar.  O velho Bugre me respondeu que quando alguém ficava rico, ou adquiria uma posição social e política de destaque, na falta de um título de nível superior, era então chamado de coronel.

Conheci muitas pessoas importantes que antes do seu nome próprio  eram chamadas de coronel. Tive até um tio, rico fazendeiro, que era chamado de coronel. Até o cartão de visita que mandavam confeccionar vinham com o coronel antes do nome.

Na época do Império foram vendidos muitos títulos nobiliárquicos. Basta um passeio pelas ruas e avenidas de Cuiabá, e prestar atenção nas placas identificadoras desses logradouros que encontrarão – Comendador, Barão, Conde.

Quando estudante no Rio de Janeiro o meu pai visitou-me, em doze anos, incluindo formatura e casamento, três vezes. Chegava ao Aeroporto  Santos  Dummont de terno e gravata com um cigarrinho entre os dedos. Nessa ocasião já tinha abandonado o chapéu de viagens. Ao pegar o táxi, o motorista logo lhe perguntava: vamos para onde doutor? Depois meu pai comentava comigo: “- gosto muito de vir aqui, todo mundo me chama de doutor!”.

Os tempos agora são outros e o sinal de status é chamar quem é rico, ou nada faz na vida, de empresário. Como existem empresários nesta terra! A doceira virou empresária e agora é proprietária de Buffet. O pintor de quadro de paredes ou desenhista virou artista plástico, e tem um empresário para vender o seu quadro chamado marchand. O construtor de obras agora é empresário da construção civil.  O agiota é dono de factoring. Qualquer desempregado ou falido com bom DNA é empresário. Temos empresários da noite que antigamente eram donos de cabaré. E o lobista, que é um empresário especial. Quando o sucesso é enorme, o termo empresário não fica bem, e inventaram o rei. Rei do Futebol, do Carnaval, do Gado, da Indústria, da Comunicação, do Milho, do Feijão, do  Arroz, da Soja, do Algodão, da Esperteza, da Sonegação Fiscal, da Propina, da Impunidade, do Contrabando. Temos até um Rei Preso – o do Crime Organizado que é o único crime que, dizem as más línguas, compensa, pois é organizado.

Neste baú de recordações e divagações estou começando o ano – uma gostosa fantasia que criamos para evitar a monotonia da continuidade.  Ano de expectativa, pois haverá substituição do Rei.

Não me esqueci das sinhazinhas, princesas, rainhas, e para ser moderno, modelos. Mas essa conversa das donzelas fica para depois.

E ainda dizem que na terra de cego quem tem um olho é Rei.

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5 Respostas para “Os coronéis”

  1. o.magu.sp disse:

    Êi, Dr. Gabriel

    Vou tentar inventar a partir da última frase:

    Em terra de tonto, quem tem nove dedos é rei…


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  2. Calvin disse:

    O reizinho/MT está no “Dinheiro Rural”, mar/2005; seus dizeres:
    - “nossa idéia é dobrar a safra de 22 milhões para 45 milhões de ton até 2012″;
    - “é meu sonho”;
    - “quando ocuparmos 40% do território produziremos 120 milhões anuais”;
    - “pela lei podemos desmatar 65% do cerrado e 20 % da floresta”;
    - “veja que ainda sobraria 60% do território…”;
    - “reclamam que desmatamos duas Bélgicas”;
    - “mas o que é a Bélgica, duas Bélgicas?”;
    - “temos dez, vinte Bélgicas preservadas!”;
    - “se americanos e europeus acham importante preservar que nos paguem!”;
    - “tentarei a reeleição em 2006″;
    - “quero ser presidente mas penso nisso para 2010″;
    - “é meu sonho”. (p.40)

    Eis que em 2005 reizinho sonha e fala pelo “idioma” próprio – “22 mi, 45 mi, 2012, 40%, 120 mi, 65%, 20%, 2010″ – como se o mundo fosse feito para ele chegar no mundo e se dispor fazer do mundo o que lhe parecesse adequado ao mundo. O reizinho se tem o enviado para dar um jeito no mundo.

    Fotos do reizinho na matéria são hilárias:
    - n’água (Pacífico) de braços erguidos pro céu, a “falar ao Senhor”;
    - a 4, 6 km de altitude, na neve, braço estendido a apontar pro Pacífico;
    - todo posudo (senhor do pedaço) numa ruela acompanhado de castelhanos.
    Adiante (décadas voam) o reizinho fará balanço de construídos e destruídos: as toneladas e dólares sumirão só que a vastidão vazia na terra será a memória deixada pelo reizinho.


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  3. luizinho disse:

    Bom dia, prezados censurados

    Um dia, quem sabe, não haverá por ai uma Rua Coronel Luís Inácio :idea:

    NB: Ainda censurados, ai os tribunais fecharam para obras? :shock:

    Cumprimentos.


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