Manoel Motta escreve sobre o ENEM – Ainda o ENEM

Publicado por Adriana Vandoni em 9/02/2010 às 09:17 hs. Acompanhe as respostas pelo  RSS 2.0.

enem(Manoel Motta*) Ao que tudo faz crer os resultados do ENEM não foram catastróficos como previam seus críticos mais severos. Tampouco se pode afirmar que se obteve um resultado que modificou em profundidade o perfil dos que estão ingressando no sistema federal de ensino superior. Agora de uma coisa pode-se estar certo tudo indica que está sendo iniciado um processo de mudança, que ai sim, provavelmente terá efeitos no perfil daqueles que vão ingressar nas universidades e institutos federais nos próximos anos.

Superadas as dificuldades iniciais desse primeiro exame é hora de avaliar os resultados e debater em profundidade essa iniciativa ousada do MEC em mexer no atual modelo de exames para ingresso nas instituições federais de ensino superior. É necessário ressaltar que o ENEM não é uma panacéia que vai resolver à questão da democratização do acesso a universidade. Ele apenas esta propondo substituir um modelo de acesso por outro abrangente e com alcance nacional.

Não foi por acaso que as principais insatisfações contra o ENEM tenham partido de empresários da educação encastelados em preparatórios para o atual modelo de vestibular. É compreensível que tenha partido deles um dos principais focos de resistência, pois vêem ameaçados de ruir da noite para o dia suas estruturas montadas ao longo de quase quatro décadas. Eles têm razão em considerar que a implantação do exame nacional, no tempo em que esta sendo feito, não lhes permitiu saltar do modelo antigo para o novo. É evidente que as famílias que investiram tempo e dinheiro nesses preparatórios ficaram apavoradas com as mudanças.  Até então  durante anos  se viam recompensados com a aprovação de seu garoto ou de sua garota nos concorridíssimos vestibulares do sistema federal de ensino superior , valendo portanto todo o investimento   financeiro e afetivo.

Ao que tudo indica o projeto do ENEM desmancha todo esse velho  castelo de areia. Essas grandes estruturas preparatórias de fato foram pegas de calças curtas e vão ter que se adaptar as mudanças se quiser sobreviver. Nada contra  empresários da educação bem sucedidos, afinal foram eles que compreenderam as mudanças que ocorreram no  modelo de vestibular no inicio dos anos setenta do século XX e passaram a oferecer preparatórios eficientes que de fato levou durante décadas milhares de jovens  as universidades.   Acredito que logo, logo estarão adaptados oferecendo para as camadas e classes que buscam formação, em suas instituições, conteúdos adequados aos novos tempos. Acredito até que logo vão oferecer a possibilidade do estudante escolher em que estado irão realizar seus cursos Essa eventual choradeira inicial, no meu entendimento, não chega a contribuir de maneira relevante para o debate sobre o ENEM.

Por outro lado não dá para considerar com seriedade como um argumento relevante que o processo democrático e legal de realização de uma ação legitima de governo constitua uma “pratica autoritária”.  Excluído a “palavra de ordem” da implantação autoritária, levantada por setores do movimento docente e por correntes do movimento estudantil e que não teve maiores repercussões, o processo de implantação do ENEM seguiu as regras republicanas para realização de qualquer ação de governo.  Pode-se afirmar ainda que a opção pelo ENEM recebeu  aprovação majoritária dos conselhos de praticamente todas as universidades federais envolvidas.  Alem disso a proposta do ENEM teve o apoio do movimento estudantil secundarista e da União Nacional de Estudantes.

Continuo considerando que a principal questão, a questão que avalio substantiva nesse debate é o fato de que o ENEM esta se propondo como um exame nacional para ingresso no sistema federal de ensino superior e como referencia para financiamento de vagas pelo Estado em instituições de ensino superior da rede particular. Portanto é nessa questão que deve se centrar o debate.

Outra questão também posta por essa primeira experiência é a da natureza da avaliação. Nessa primeira versão buscou-se seguir uma lógica de avaliação que segundo os seus formuladores favoreceriam aqueles que receberam uma formação no ensino médio qualitativa, menos mecânica e burocrática.  Essa orientação tornando a disputa mais democrática o que abriria mais possibilidades ao estudante das escolas publica.

Todos os indicadores mostram que houve uma adesão em massa aos exames. Os índices de não comparecimento foram irrelevantes mesmo considerando-se os percalços surgidos com o adiamento das provas.  A correção do exame obedeceu a prazos razoáveis e os resultados foram processados com rapidez.  A tendência é que o exame nacional se consolide e que mais universidades federais utilizem o ENEM como critério principal para ingresso em seus cursos.

O ENEM é uma experiência ousada, bem sucedida.

(*) Manoel F V Motta – Professor da UFMT e Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo


Leia também:

  1. Prof Manoel Motta: “Implicações políticas de fragilidades econômicas”
  2. Carlos Roberto Sabbi escreve sobre “Ética Profissional”
  3. Plínio Zabeu escreve sobre a “Comissão nacional da verdade”
  4. Artigo de Manoel Motta: “Liberdade de Expressão”
  5. Artigo do Manoel Motta: O Enem
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5 Respostas para “Manoel Motta escreve sobre o ENEM – Ainda o ENEM”

  1. Bobonao disse:

    Ele está falando desse ENEM que no qual hove suspeitas de fraude, até na correção? Esse ENEM que vc. tinha que se identifcar na prova de REDAÇÃO , quebrando o pricípio da impessoalidade na correção? Esse ENEM que atrasou o cronograma de várias faculdades por causa de problemas inexplicáveis na era da informação. O ENEM do SISU? O ENEM em que várias faculdades caíram fora e outras ofereceram muito poucas vagas?

    Esse senhor não passa de um professor pelego!

    OS TUBARÕES DO ENSINO DEVEM SER COMBATIDOS NA EDUCAÇÃO DE BASE. Só assim perderão esse filão. O estudante tem que ser formada na base para saber pesquisar, e não precisar desse sistema. É por isso que o nível da educação do Brasil , está onde está.

    Só pode ser sacanagem, nunca pensei em ler isso aqui!

  2. Bobonao disse:

    Falando nisso e relendo, tá f…. mas, estou comentando meio p…. e sem ligar muito para ortografia ou regras de concordância… ;-)

  3. Paulo Roberto Urbano da Cruz disse:

    O professor não deve estar se referindo ao ENEM cheio de suspeita de fraude, organizado nas coxas e gerenciado como boteco de cachaça. O SISU para qual foi utilizado a nota do ENEM, foi um festival de incompetência e amadorismo, que gerenciou o sistema de inscrição nunca deve ter tido contato com informática, não possui internet em casa e nem sabe operar um computador, pois o sistema que segundo o MEC estava preparado para 200.000 acessos horas, no final do primeiro dia tinha conseguido inscrever cerca de 23000 candidatos, neste ritmo seriam necessários mais de 20 dias para que todos os que prestaram exame do ENEM pudessem se inscrever. A escolha do curso é outra perola dos sabios do MEC, pois o aluno se inscreve em engenharia mas se a nota de corte é maior que sua media , ele vai optar por outro curso, e no final quem queria ser engenheiro acaba como professor de letras, é a chamada loteria do ensino que em nada melhora, e sim transforma o ensino brasileiro numa geleia geral. Quando é que o assunto educação vai ser tratado de forma responsável neste pais , sem vies ideológico e político.

  4. o.magu.sp disse:

    O problema maior está na grande redução de nível dos ingressantes no ensino superior. A reserva de cotas leva para a universidade uma pleiade de alunos que nem sabem escrever direito, quanto mais pensar com coerência. Isso levará a uma diminuição de qualidade dos formandos, sim, porque as faculdades precisarão reduzir a quantidade de informação para que os cotistas possam acompanhar e chegarem a conseguir seu canudo, sem que as instituições venham a ser punidas por excesso de reprovação. Agora pergunto: Quem é que vai ser responsável por médicos que vão perder seus pacientes por insuficiência de preparo? Quem é que vai ser responsável por arquitetos e engenheiros cuja construção vai cair por erros de execução? E dai por diante…

  5. Anhanguera Tatuapé disse:

    ENEM, VESTIBULAR…
    Não sou contra nem a favor de qualquer método de seleção, desde que seja HONESTO.
    Por outro lado, sou contra:
    1) métodos desonestos e viciados onde uma classe, raça ou religiao seja beficiada em detrimento de outras.
    2) mudanças frequentes nas regras do jogo. Alterações criam suspeita de favorecimentos localizados em nomes, datas ou pessoas.

    Qualquer processo vale, desde que SÓ passem os mais aptos.

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