Por Laurence Bittencourt
O poeta, escritor e publicitário pernambucano, residente em Natal, Jairo Lima,
assim como eu, acredita que o trabalho intelectual é algo superior ao uso do trabalho sensório per si. Vou tentar explicar, antes que me acusem de alguma obscenidade, mesmo que quem o faça não saiba que está ofendendo mais a si do que a mim. Aliás, foi Freud quem disse certa vez que quando Pedro fala de João, está falando mais de Pedro do que de João. Deu para entender? Não? Então, deixa pra lá, paciência. Na verdade, isso é outra história. Deixemos Freud, e voltemos a Jairo.
Jairo é fã de música erudita. Eu também. As identificações param ai. Exemplo? Jairo ensinou música erudita, eu não. Bom, mas música erudita obviamente não é a mesma coisa que música popular, que é o que eu quero falar aqui. A música popular é feita ou pode ser feita (composta, para usar o jargão) por qualquer analfabeto musical, já a música erudita não. A musica erudita é música construída com base no refinamento intelectual, conceitual, faz uso da cultura intelectual e da lógica. Sem lógica, não há musica erudita, sem o uso do intelecto não há musica erudita, por isso ela é superior. Já a música popular, não. Essa é intuitiva e vive do sensorial. Freud explica, mais uma vez.
Mas vejamos outro exemplo: o rock por exemplo, é sensório puro. Qual a diferença entre a gritaria musical do rock and roll e a gritaria de Hitler discursando? Nenhuma. Ambos fizeram sucesso. Alguns até ainda dizem que fazem. O problema é que não há na “mensagem” deles apelo ao intelecto, não há apelo ao refinamento, que precisa da lógica, logo, a cultura do rock and roll e os discursos de Hitler são não só anteriores a cultura intelectual como inferiores. Deu para entender? Se não, então é melhor desistir e continuar tocando a sua cultura inferior. Ou se preferir, com o seu rock and roll.
Estou dizendo isso, para tentar raciocinar porque que uma música baiana que não nos diz absolutamente nada, consegue vender milhões, e levar multidões atrás de um trio elétrico e a 3ª sinfonia de Beethoven que é uma das coisas mais geniais que alguém já compôs, não conseguir absolutamente nada em relação à massa? Por quê? Há outras músicas eruditas, óbvio, mas fiquemos nessa do nosso Beethoven.
A música popular nos pega não pelo intelecto, e sim, pelo estímulo imediato. Sem mediação. Já a música erudita exige análise, conceituação, exige trabalho mental.
A musica popular não exige nada. Por isso que alguns – Jairo e eu, por exemplo -, acham que a música popular é pura alienação. E é. Mas não no sentido marxista, bem entendido, porque a música erudita é refinamento, e marxismo não é. Sei que é assim, e não quero explicar isso agora, talvez no futuro.Talvez.
O certo é que a música moderna acabou com a música erudita. Entre os assassinos se encontra também a música erudita moderna. Jairo explica. Se quiser saber por que é só marcar uma prosa (erudita) com Jairo Lima no Bar Papo Furado (http://www.papofurado.org/) que fica aqui em Natal, situado no Mercado de Petrópolis, na AV. Hermes da Fonseca, box. 19. Você irá sair de lá, com cancha de perito em musica erudita. Pode se gabar.






















Ô, Laurence, você coloca os seus leitores numa enrascada. Se não entenderem o que você quer dizer são estúpidos e se discordarem, estão discordando de si mesmos. Fico aqui pensando como vou sair dessa. Acho que vou chamar o Calvin!
Madeira, pois faça isso. Risos, chame o Calvin. Quero saber a opinião dele também. Risos.
O Laurence Bittencourt – a propósito, em Natal é nome comum? armar pegadinhas no sábado, meu? – estaria a propor uma embrulhada (“buchada de bode”) com Freud, Hitler, rock, marxismo, Beethoven, papo furado.
Mas tudo bem LB, o P&P é pro neguinho se divertir, de resolvimentos zero.
Cá onde estou não tenho “meios padrões para desenvolver” já que disto quilômetros até a mais próxima prateleira com livros – enquanto na minha segunda natureza “respiro” livros.
Mas tudo bem, armazenado no micro encontro tirinha HQ com “Calvin e Haroldo”:
Q1. Calvin caminha à solta portando um guarda-chuva.
Q2. Calvin pára, olha para o alto, abre a mão, caem gotas de chuva.
Q3. Calvin sorridente abre o g-chuva enquanto a chuva engrossa.
Q4. Calvin faceirão dentro do g-chuva pousado no chão; água pelas bordas.
Reparar que se deu uma “mudança de gênero”. O guarda-chuva inicialmente tido do “gênero” proteger da chuva foi adaptado para o “Gênero” piscininha de água da chuva. O Calvin está na sua independente do “gênero”; o que houve de mudança decorreu de um arranjo mental que ensejou um uso material para novidadeiro aproveitamento.
Só para ilustrar, em textos escritos há variados gêneros – prosa, poema, ensaio, crônica, carta, nótícia, entrevista, blog, etc Pois então que possível embate haveria entre música popular e erudita? De cara dá de afirmar que são dois gêneros de música.
(continua)
(continuação)
Recordar HQ: guarda-chuva pro uso de piscina da chuva.
No compor “popular” o neguinho se permite:
- ser analfabeto de pai e mãe… ou inverso;
- estar maconheiro, drogado, avoado, bichado, cag*do… ou inverso;
- não ter eira nem beira… ou inverso.
Dá de dizer que musicista “popular” possui dicionário próprio exclusivo. No gênero “popuilar” o ritmado sem exterioridades não dá pé; dá de afirmar que “popular” é para shows de agitos corporais – provocar fenômenos nas platéias pelo entoar de vozes e agilidades físicas.
Na estorieta HQ figuremos:
- guarda-chuva na forma de piscina seria do gênero “popular”;
- guarda-chuva para proteger da chuva seria “erudita”.
O indivíduo estar protegido de maneira que não se molha pela chuva e daí se permitir transitar segundo seus propósitos é um grande lance, uma grande jogada, de completosatisfazer. O indivíduo brincar na água armazenada no guarda-chuva é uma estranhíssima idéia, extravagante utilidade, uma p*ta festa.
E então LB?
“Erudita”… satisfaz, recompensa, faz bem, contenta, suficientiza, fascina, delicia.
“Popular”… deslancha, extravasa, desgarra, rompe, golfeja, desaloja, desembrenha.
LB: “… popular não exige nada… alienação”
Revisa essa, meu!
A “popular” exige e atende num gênero e, a “erudita” noutro.
Assim não se passa borracha no passado, o presente fica na boa e o futuro promete.
(rarará)
Sou apreciador de música, ponto. Não a que meu vizinho está me obrigando a ouvir desde 14 horas, um tal de Bello, que acho que deveria estar preso incomunicável. Claro que se esse mesmo vizinho tocasse as 4 estações de Vivaldi desde 14 horas eu estaria puto do mesmo jeito.
Ouço blues, ouço MPB de qualidade, até Reginaldo Rossi, às vezes, más ouvir mesmo, e tirar prazer disso, só clássica.
Sabe-se hoje que música clássica envolve o desenvolvimento de partes do cérebro, inclusive ligadas à matemática. Apreciar música clássica exige treinamento, além de sensibilidade, para uma correta interpretação do que está se ouvindo; tive a sorte de ter orientadores preciosos: minha avó, harpista da sinfonica de S. petersburgo, uma tia , pianista e violonista que atuou na orquestra da Suisse Romande, meu irmão, matemático, o maestro Olivier Tony, da OCSP e outros.
O grande prazer está também em ouvir as diferentes interpretações e, literalmente, curtir a s sutis diferenças; a leitura da 5ª de beethoven de von Karajan, Toscanini ou Boulez , são fonte inesgotável de audições.
Más a toada da marujada do boi Garantido de Parintins também me dá prazer.
Calvim amigo, te acompanhar realmente é PH. Risos, mas valeu, escrever aquilo tudo cara. Quando vier a Natal vai lá no Papo Furado, voce vai gostar. O Jairo é boa gente e vai adorar te ouvir. Eu gosto de falar, mas sinto que concorrer com voce é dose. Valeu cara, manda mais.
Aê Laurence. “Manda mais” é o que deves fazer no P&P, meu!
Da parte de cá vale o dizer “não invento, só acrescento”.
Criar (dar contexto) é que são elas, ampliar (diversificar circunstâncias) é barbada.
Ô, cambada!
Só uma constatação.
Laurence escreveu no estilo paradigmático de Calvin.
Aí o Madeira complicou.
Calvin atendeu e explicou.
Santa periquita! Ficamos com o soneto ou com a emenda?
Bem, pode ser com os dois.
Mâs, imaginei uma situação do blog sem o Laurence.
Ficariamos orfãos.
Mâs, ficar sem o Calvin também não teria graça, não é mesmo?
Eta, ferro. Esta seria uma situação paradigmática, não?
Esqueci de dizer: Uma situação paradigmática de 1485 caracteres.
Esta é para a Dedé…
Eheheheheh…
Magu sem voce por aqui é que não pode. Não consigo mais viver sem voces. Olhe ai. Culpa da Adriana e do Giulio. E de voces idem. Risos. Valeu.