Artigo de Gabriel Novis: Falar de educação

Publicado por Adriana Vandoni em 29/12/2009 às 08:09 hs. Acompanhe as respostas pelo  RSS 2.0.

Por Gabriel Novis Neves

“O poder público tem que mudar a lógica simplista de achar que a qualidade da educação se consegue a preços módicos. Ter bons profissionais, estimulados, fazendo um bom trabalho, mostrando resultados, é algo que custa mais caro que fazer obras. Se não se investir volumes considerados de recursos nos profissionais da sala de aula, não teremos bons resultados por muitas e muitas gerações” – Antonio Carlos Máximo, professor da UFMT. Estava com saudades de palavras sensatas sobre a nossa educação!

As estatísticas realizadas pelo governo, e pagas por nós – principalmente com relação à educação infantil, ensino fundamental e médio – nos mostram sempre uma imagem positiva com relação à quantidade de salas de aulas; alunos em sala de aula; cores da pintura da escola; o nome (geralmente de pessoas que mal freqüentaram uma escola), e agora, como sinal de qualidade educacional, número de laboratórios e computadores. O professor sem o qual não existe educação, nem lembrado é.

O professor Máximo, que conheço muito bem, angustiado com o futuro dos nossos jovens relatou com perfeição uma realidade que os nossos governantes não suportam nem ouvir. Este assunto de remuneração de professores é tratado com desdém. O governo só tem uma preocupação: comparar o salário dos nossos professores aos piores salários pagos no Brasil.

Nossa educação vai muito mal!  O tema “professor” lembra-me muito o Ex-Ministro da Educação do Brasil – Cristovam Buarque (aquele que foi demitido por telefone). Ele nos fala que “o sucesso da educação passa pela cabeça (conhecimento), coração (paixão pela profissão) e termina no bolso do professor que deve receber salários dignos.”

Os nossos professores, especialmente os da rede básica, são totalmente desqualificados profissionalmente pelos nossos governantes. A meritocracia neste modelo pedagógico é substituída pelo famoso QI (quem indica).

As estatísticas oficiais sobre a educação são interpretações feitas para não desagradar o patrão, e a sua divulgação, pela mídia oficial, não passa de mais um discurso direcionado à sociedade, que mais confunde do que esclarece.


Leia também:

  1. Microondas – artigo de Gabriel Novis Neves
  2. Artigo de Gabriel Novis: “Exposição”
  3. Artigo do Gabriel Novis: A Palestra
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5 Respostas para “Artigo de Gabriel Novis: Falar de educação”

  1. Calvin disse:

    Ref. “GNNeves. O poder público… mudar a lógica simplista…”
    Nossa! Não é por aí, meu! Duas erradas:
    - público mudar;
    - simplista.
    Onde ler “erradas” entender “erradas demais, tri erradas”.
    Anota aí GNN: “ninguém consegue se erguer puxando pelos próprios cabelos”.

    O avanço tecnológico – professor apurado é avançar cognitivo – nunca partirá do Estado. deverá se dar via iniciativa privada; nunca com atuais profissionais em sala de aula; ensino requer profissional de bancar deflagrações de novidades; deverá surgir – futuramente falando – o Deflagrador de Novidades ou o Novidadeiro; mudanças para rápidos versionamentos em aspectos sociais e tecnológicos no ensino.

    GNN: “… [CBuarque]… sucesso… cabeça… coração…bolso…”
    Nossa! Nada disso, meu!
    Tudo errado:
    - “sucesso”: educação requer desenvolvimentos nada a ver com “sucesso”;
    - “cabeça”: conhecer é o básico, urge propensão pró inovar, versionar;
    - “coração”: aprendizes necessitam de perspectivas e ambições;
    - “bolso”: além do valor básico tudo estará condicionado aos desfechos ‘plus”.

    Quer saber GNN? Te seguuura peão!
    No mundo da razão existe uma escala de medida – inventada – que já por alguns séculos está embutida na intuição – psicologicamente falando – humana. Quero dizer que “dos 8 aos 80 anos” o indivíduo – universalmente falando – vive e convive com escala intuitiva.
    A escala é de três:
    - necessário;
    - suficiente;
    - mais que suficiente.
    Eis o fulcro da educação.
    (continua)

  2. Calvin disse:

    continuação.
    Escala de três patamares:
    - necessário;
    - suficiente;
    - mais que suficiente.
    Na iniciativa privada – economicamente falando – os indivíduos se destacam pela aplicação e rapidez mental no distinguir “necessário” do “suficiente” do “mais que suficiente”.
    Atualmente os profissonais do ensino não passam de assalariados-de-linha-de-produção, operários, meros subalternos (pela lerdeza mental).
    Nas escolas em geral – searas pública e privada – professor ou professorinha ou mestre escolar – enquanto no ambiente escolar – não sabem nada a respeito de diferenciar necessário de suficiente na sala de aula.
    O atraso que isso acarreta é simploriamente interpretado como “lógica simplista, coração, bolso”.

    Por garantia vou “desenhar”:
    - nos lares, pobre ou rico, os adultos lidam com a escala;
    - toda mãe distingue “necessário” de “suficiente”;
    - só que os familiares não transmitem aos filhos tal facilitador de viver;
    - professores inovadores ficarão craques em abordar pela escala;
    - professores justificarão aos familiares o valor de tal saber;
    - surgirá linha de comunicação da escola-professores com lar-familiares;
    - propósito é fazer com que alunos-filhos se habituem no agir pelas escala;
    - os trabalhos escolares serão regidos por espírito de busca incessante via escala:
    — quando o feito for necessário deverá ir em busca do suficiente;
    — quando no suficiente deverá ir em busca do mais que:suficiente.
    O aluno competirá consigo apoiado em duas bases.

  3. Chacon disse:

    Concordo que o governo tenha que deixar essa visão simplista, a questão da educação, vai além de remunerar bem os professores e ter instalações adequadas. O tipo de aula, os materiais, em que idade se ensina o que, a carga horária, a alimentação, tudo isso e creio que mais, deve ser envilvido na questao da educação se quisermos ter cidadãos que possam pensar.

    A outra questão é: querem isso? Duvido ! ! ! Ter cidadão que não pensam e são usados, como o próprio presidente (que é usado) é adequado para a “causa”.

    • Calvin disse:

      Pro Chacon. Querer melhorar todo mundo quer. O xis do problema é introduzir uma novidade que “motorize” as mentes dos estudantes. Não é pela melhora (inicialmente) dos professores mas sim pela melhora dos alunos. Elevando o nível de trabalho dos alunos os professores entenderão a sistemática e acrescentarão/ acelerarão.
      O professorado – assalariado que muito cedo só pensa na aposentadoria – sempre reclamará de salário pois constitui a maior corporação nos estados e municípios.
      A fómula é simples:
      - criar uma linha de comunicação entre escola e lar;
      - treinar os pais a distinguirem junto aos filhos o necessário do suficiente;
      - professores e pais se atualizarão (troca de providências e idéias) por blogs;
      - os melkhors alunos serão recompensados (arranjos com empresas);
      - meritocracia para docentes e discentes.

  4. Valdecy Alves disse:

    Parabéns pelo seu blog e as matérias que veicula. Se puder, visite o meu blog, poste o seu comentário e indique para os seus contatos. Um 2010 maravilhoso! Meu blog: http://www.valdecyalves.blogspot.com

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