Do blog do Frederico Vasconcelos
Uma crítica à ostentação e à mordomia na Justiça
Sob o título “Cafonice”, o juiz Carlos Zamith Junior, do Amazonas, publica o seguinte post em seu blog:
Autoridade que somente ocupa o banco traseiro do veículo oficial e que dele desce apenas quando o motorista lhe abre a porta. Existe comportamento tão cafona quanto esse?
Pois é, ontem eu me encontrava no subsolo do prédio Arnoldo Peres, sede do Tribunal de Justiça do Amazonas, aguardando a chegada do elevador, quando um Toyotão preto parou bem ao meu lado. O motorista, então, deixa a direção, dá a volta por detrás do automóvel e abre a maçaneta da porta traseira direita. Somente após esse ritual é que a “otoridade” sai do veículo.
Uma dica: ele até bem pouco tempo atrás era juiz de direito. A outra dica é que ele é obeso.
Entre os comentários, no mesmo blog, eis o episódio narrado pelo juiz de direito Gilberto de Moura Lima, de São Luís (MA):
Sobre essa cafonice, um fato dessa ordem ocorreu-me quando eu era Agente da Polícia Federal no Estado do Mato Grosso.
Na PF não tinha o cargo de motorista. Portanto, um dos requisitos para o ingresso no cargo era ser habilitado para dirigir veículos automotores.
Em assim sendo, um certo dia, me encontrava na SR de Cuiabá, quando uma delegada me chamou para ir com ela em determinado lugar daquela cidade, sendo que de imediato, nos deslocamos até à garagem, e ali chegando, para a minha surpresa, a autoridade policial ingressara na viatura policial se alojanado no banco traseiro.
Diante daquela situação para mim embaraçosa, esclareço, sem nenhum demérito para com os motoristas profissionais, mas para mim desconcertante, disse à delegada que eu não era motorista dela, e se insistisse em ser conduzida no banco traseiro do veículo, que procurasse outro para conduzi-la, afirmando, ainda, que me tratasse com respeito, já que afinal de contas eu era tão policial quanto ela, dando o caso por encerrado.
Como se observa, esse fato narrado pelo ilustre magistrado dono deste espaço, apenas retrata a prepotência de algumas autoridades.
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São os Justos Veríssimos da vida…
Quanta maldade!
Vocês não compreendem que a “otoridade” (como a denominam) ao esperar que o servo lhe abrisse a porta estava em êxtase… pois atingia o maior objetivo da sua vida…
Novidade por aqui? Nenhuma. Ah, certas otoridades daqui (aproveitando o gancho), têm exclusividade no uso e abuso de calçadas. O MPF é “dono do pedaço’ (calçada) na Av, Estevão de Mendonça, esquina com a Getulio Vargas. Seus pares, incluo todos, pois, se tivesse pelo um, unzinho só, tamanha aberração já estaria corrigida, independentemente da Prefeitura Municipal ter expedido alvará para tamanho absurdo. Quando se é justo, corta-se na propria carne! Trata-se, infelizmente, de um local para reportagens televisivas policialescas, tipo tragédia, dado o uso da calçada para fins outros, qual seja, estacionamento de veículos de “otoridade”. Quem duvidar que olhe, logo após virar a Av. Getúlio Vargas, adentrando à Av Estevão de Mendonça, que verá uma imponente placa, com os seguintes dizeres: “Área de Segurança” e outros babados que no momento não me recordo. Ops, cadê o MPE para notificar as autoridades municipais e seus pares do MPF.
Por que essa nogentalha não vai aprender o que é ser servidor do Estado lá fora?
Ministro do Supremo nos Estados Unidos dirige seu carro; primeiro ministro sueco vai trabalhar de bonde; ah, já sei: é que aqui acabaram com os bondes…
Presidente da Suiça anda de bicicleta…