Ontem o senador Geraldo Mesquita Júnior, do PMDB do Acre, fez um relato revoltado com a prisão do jornalista Antônio Raimundo Ferreira Muniz, baseada na Lei da Imprensa. Sim, senhores, o jornalista foi preso com base nos artigos 22 e 23 da extinta Lei de Imprensa, num processo movido pelo senador Tião Viana, do PT. Perceba, a Lei está extinta. E o jornalista está preso.
O senador Mesquita se disse envergonhado que em sua terra a famigerada Lei da Imprensa ainda não tenha caído, como já caiu no Supremo. Mesquita conclamou a todos os senadores presentes, que denunciem e não permitam que, “em nosso país, existam pressões contra profissionais da imprensa e órgãos de comunicação, para que só seja dito aquilo que interessa ao soberano”, pois isso, disse o senador Mesquita, “é algo insuportável, porque vai ao cerne daquilo que é fundamental para o povo brasileiro, que é manter uma democracia viva, que é manter as instituições funcionando de forma independente, que é manter a imprensa, mesmo quando fala de forma equivocada sobre um ou outro. Mas ela deve ser mantida falando”.
Nessa hora o representante de Mato Grosso, o suplente de senador Osvaldo Sobrinho (PTB/MT – foto), pediu para fazer uso da palavra. E fez. Protestou toda sua solidariedade ao jornalista acreano. Sobrinho estava indignado por saber que a Lei de Imprensa não foi extinta no Acre. Um absurdo! Sobrinho falou do “homem democrático, aquele sempre ligado às causas da liberdade e aos direitos fundamentais do cidadão”. Ele, escandalizado, disse que “tem-se de gritar mesmo, de falar, de contestar, de mostrar que não se está calmo com esse tipo de coisa”.
Osvaldo Sobrinho falou em nome de Mato Grosso, o mesmo Mato Grosso onde o juiz Pedro Sakamoto determinou censura prévia a dois blogs desde o dia 13 de novembro. Censura prévia ratificada no dia 02 de dezembro pelo desembargador Carlos Eduardo da Rocha, que achou consistência nas razões do juiz. Mesmo após o Ministro Celso de Mello, do STF, ter afirmado que “o texto da Constituição da República assegura o direito de expender crítica, ainda que desfavorável e mesmo que em tom contundente, contra quaisquer pessoas ou autoridades”.
Todos – o juiz, o desembargador e o senador – são de Mato Grosso, mas de certo senador ainda não saiba o que o Brasil já sabe, ou quem sabe, o Mato Grosso que o senador está a representar não é o mesmo Mato Grosso onde a censura prévia ainda existe, mesmo à revelia da Constituição Federal.
O jornalista Antônio Raimundo Ferreira Muniz, do Acre, merece toda a solidariedade. Sua prisão merece o repúdio e indignação de toda a sociedade brasileira, pois é uma aberração aos princípios democráticos e uma insubordinação às regras constitucionais. O Brasil não pode aceitar que jornalistas sejam trancafiados nos porões de prisões, simplesmente por praticarem o jornalismo. Democracia não se restringe ao voto, ela é acima de tudo, ou, antes de tudo, a liberdade e o direito do cidadão de exercer o contraditório.
É chegada a hora do Brasil decidir se quer ser uma democracia de verdade ou vai prosseguir com esta democracia de banana, onde homens usam suas togas à revelia da constituição.
Já em Mato Grosso, felizmente a liberdade de imprensa ainda pode contar com a defesa de dois representantes: Arthur Virgílio do Amazonas e Alvaro Dias do Paraná.
O senador Mesquita que é do Acre, disse se sentir envergonhado do seu estado. Osvaldo Sobrinho, que é de Mato Grosso, disse se sentir envergonhado com a vergonha do estado de Mesquita. Eu me senti envergonhada. Por ambos estados.
Leia também:
- Brasil sob a ditadura de toga
- Ditadura de Toga: decisão do desembargador é destaque no ABC Polítiko
- Ditadura de toga – mais um blog censurado
- A ditadura de toga
- Yoani Sanchez: a violência da ditadura cubana






















Não é engraçado?
Parece que só político paroquial procura a Juspiça para calar seus oponentes. Bem, de um que é chamado tião, o que querem? …
Nos rincões do país, então, aquela ’senhôra’ que segura uma espada e uma balança, comumente apresentada com uma venda nos olhos, também tem seríssimos problemas auditivos. As trompas de Eustáquio devem estar entupidas de pó….
Mâs, Magu, aquela senhora com as trompas de Eustáquio entupidas também deve estar com as trompas de Falópio com o mesmo problema; não está prenhe de justiça, nem tem parido nada contra os poderosos.
Meu caro Marreta
É que os foderosos são incomuns…
eu vi este bestalhão do oswaldo sobrinho falar..fiquei esperando ele falar do seu caso adriana, mas ele se calou..
tomara qque volte logo o sen jayme campos ..este osvaldo sobrinho não vale o ar que respira.
é só + um esquerdopata nojento defensor do hamaz do hiszbollah e das farc.