Por Laurence Bittencourt Leite, jornalista
Novo escândalo em Brasília envolvendo desta feita os Democratas, que os seus adversários chamam cheios gozação e mau humor de “Demo”. Nenhuma surpresa em se tratando de Brasil (o escândalo claro). Na verdade é o corriqueiro. O que pode haver de diferente neste país de escândalos de corrupção permanentes seria os procedimentos a posteriori. Não que isso isente o partido totalmente, mas a aceitação da constatação (dificilmente um partido, ou político pegos com a mão na botija assume a infração) e expulsão dos quadros partidários é algo novo. O comum é o partido fazer a defesa mesmo diante de todas as evidências. Basta lembrar o PT recentemente.
O problema político no Brasil, em especial, a meu ver, é de caráter, ou seja, ético. Claro que tem as questões envolvendo as definições programáticas também importantes. No Brasil, os partidos, parecem ter os mesmos programas. Isso explica o fato de um político assumir um cargo executivo (governador, prefeito) e mesmo não tendo maioria, antes de sentar na cadeira, já tem maioria. Não há fidelização partidária (o que é no mínimo desrespeito ao eleitor), não programas partidárias e mais ainda obediência ao programa. Isso é histórico. Basta mencionar que os militares deram um golpe em 1964 para defender o capitalismo. Fizeram precisamente o oposto do que pregavam. No Brasil os maiores opositores do capitalismo não são os partidos chamados de “esquerda”. São aqueles que dizem defender o capitalismo. Isso é um fato. O capitalismo nunca teve bons aliados neste país. O incrível nesse nosso paradoxo e incoerência permanente, é vermos que os opositores do capitalismo são os que mais se beneficiam dele, ou querem fazer parte dele, ainda que façam e tenham o discurso contrário.
Bom, mas voltando a reforma política, como tudo que é para dar uma definição maior ao país, não sai do papel. As chamadas “reformas” são apenas casuísmos. O que é o fim. É podre. Somos um país sem norte ou definições políticas claras. Como não temos definições políticas, também não temos definições econômicas e mesmo jurídicas. Tentar uma análise sociológica para o que somos é tentador. Mas as gerações mais novas, parecem repetir as anteriores, e não demonstram nenhum interesse com pesquisa, com ciência.
Ora, quando o mundo moderno explodia na Europa, provocando a queda do feudalismo, a queda do império católico, resultando na implantação da revolução industrial, na ascensão da burguesia, na implantação da revolução científica, do Humanismo, além da revolução luterana e calvinista, no Brasil recebemos a implantação através da Igreja católica de uma oposição sistemática a esse novo universo que surgia. Somos filhos da Contra-reforma e da sanha inquisitorial da igreja católica. Nossos valores, e visões de mundo vêm daí, do universo da Contra-reforma. Não é à toa que nunca recebemos um premio Nobel em nada. Nossos erros permanentes não merecem consertos, e sim repetições.
Já que o novo escândalo obedece a velhas práticas na política deste país, vamos torcer para que o desfecho e a resolução permitam trazer algo de novo e diferente. Seria o melhor e o adequado, mas temo que não. De qualquer forma vamos esperar e acompanhar.






















Afinal, será que o crime compensa?
Depende. Apenas 3% dos processos para investigar roubos e homicídios chegam ao fim. Então, no curto prazo, o crime compensa, sim, principalmente os de colarinho branco.
Mas quem escapa impune da primeira infração, dificilmente resiste à tentação de reincidir. Assim, um crime leva outro, e eventualmente o bandido acaba preso.
A vida de um criminoso, é um inferno, não encontram paz pela duplicidade de vida conflitante no seio familiar e no social.
No ambiente privado, os familiares, conscientes que tem algo errado, aceitam calados ao nível de vida não compatível com seus rendimentos e, no social, os atos ilícitos são comprometedores pela participação de terceiros, o famoso “rabo preso”, vivendo sempre com a sensação de ser assaltado, pelo seu passado, no arsenal da lama das falcatruas.
No mundo materialista o dinheiro é o poder e, o poder, é cego não vê o ser humano e nem quem o detém.
Afinal, será que o crime compensa?
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