Prezado Prefeito Dr. Hélio.
Bem vindo de sua viagem à China da qual o Sr. veio com grande inspiração política e vastos conhecimentos técnicos e tecnológicos.Aqui de surpresa verificou que a Câmara Municipal estava tendo o comportamento diferente, com sinais de intranqüilidade. Suas recentes declarações são certamente frutos do espanto e perplexidade. Com respeito e por “dever de ofício” preciso tentar esclarecê-lo para o mais importante da suposta tensão da relação entre o Poder Executivo e Legislativo.
No Correio Popular de sexta-feira lê-se que o Sr. “tenta implodir grupo rebelde com exonerações”.Questão de enfoque e de hermenêutica: o grupo “rebelde” denominado pela imprensa de G11, não efetivou qualquer rebelião contra suas ordens, apenas se juntou à oposição e conseguiu pelo voto em plenário, adiar a votação dos PLs referentes à revitalização do Botafogo. Alguns Vereadores titulares da CLR, outros descontentes e mais os da oposição conseguiram adiar a votação, por que pretendem entender a finalidade pública dos projetos, cotejando outras opiniões, ampliando os olhares e os horizontes de conhecimento. Válido esse cuidado de análise, por que se as conseqüências não forem das melhores, o Povo vai-lhes cobrar a falta de atenção e discernimento. Os Vereadores querem apenas um TEMPO, não estão dizendo NÃO ao Executivo, nem tiveram orientação de formarem bloco e muito menos se deram um suposto “nome de guerra”! Quem lhes forneceu o nome de “rebelde” e até uma sigla pomposa, com um provável poder de fogo, foi a imprensa local.
O Sr. afirma que vai castigar os Vereadores com exonerações de seus apadrinhados políticos e diz :”quem não é governo, não participa do governo”. Máxima política de triste recordação.É exatamente o que foi e está sendo difundido nos governos ditatoriais do século passado e em alguns atuais da América Latina. Sr. Prefeito não existe Vereador contra o Governo, a não ser evidentemente os de oposição, agora pelo Sr. elogiados e afagados carinhosamente. Os Vereadores indicados como “contra” e aos quais vai infligir paulatinamente retaliações, apenas pediram tempo para pensar e realizar uma melhor análise do que foi encaminhado à Câmara para aprovação. Outros Vereadores questionaram o fato de serem integrantes do arco da coligação que o elegeu no 1° turno e que ao se dirigirem ao Executivo com pedidos de seus eleitores para melhorias básicas na eficácia dos serviços públicos, seus Secretários nem conhecimento tomam dos seus pedidos de explicações devidamente protocolados. A correria e pressão do Executivo para a aprovação dos referidos PLs, é justificada pelo recesso parlamentar que se inicia em 15 de dezembro. O seu atual e mais dileto representante também seu candidato a Deputado Federal em 2010, o simpático Dr. Carlos Henrique Pinto, justificou essa pressa pela dívida do município com a Maternidade, proprietária da área da antiga rodoviária, que atualmente está em torno de R$12 milhões.
Em 28/11 na 1ª página dos jornais se lê: “Hélio propõe aos partidos a expulsão dos rebeldes”. De novo o adjetivo inadequado de “rebeldes” para os Vereadores que querem maiores informações sobre o que devem assinar. E o Sr. no lugar do Juiz/Algoz, ordena aos Partidos a sua expulsão sumária esquecendo que o pedido de mais tempo de análise para projeto de tal envergadura, é um ato de sensibilidade e respeito ao Povo, do qual os Vereadores são representantes.Sua lembrança imediata é a decisão do STF no ano passado que afirmou que o mandato pertence ao Partido e não ao eleito. Acontece que para chegar ao extremo de expulsão, são necessárias alguns condições que talvez o Sr. não lembre.Os expurgados tem pleno direito de recorrer à Justiça, que levará algum tempo para instauração dos processos, devendo ser analisados caso a caso e por bloco partidário. Os tais “rebeldes”, como o Sr insiste em chamar, continuarão Vereadores ainda por muito tempo, exercendo plenamente seu mandato, legislando conforme a sua consciência e em função dos seus eleitores. Com a ameaça de retaliação o Sr. coloca em pauta o calendário eleitoral de 2010, querendo “jogar para a galera” as obras do seu governo, mostrando serviço à população. E o Sr prevê o futuro, afirmando sem rodeios, que nenhum dos que o Sr. chama de “rebeldes”,será eleito em 2010!
Ninguém muda drasticamente tão rápido e por isso Prefeito, as características humanitárias e acolhedoras ainda devem integrar a sua personalidade. Politicamente o Sr. sempre se mostrou democrático,vejam-se os seus mandatos de Deputado Federal. Peço-lhe Sr. Prefeito que pense e reflita com o bom senso que lhe é peculiar,deixe para a imprensa a “pirotecnia eleitoral” e aja conforme a autoridade que lhe foi dada por sua eleição.
Para quê tanta perseguição, quando o pedido é de um tempo maior de reflexão e a possibilidade de ouvir outras opiniões? Qual a finalidade de táticas de guerrilha e expurgo aplicadas a Vereadores, que querem exercer a função que a Constituição lhes forneceu e pela qual juraram que a realizariam em benefício de Campinas? Por que razão os PLs tem que ser votados tão rápido quando o seu Governo demorou pelo menos 3 anos para os elaborar? Prefeito, por que não consultar “os que mais precisam” neste caso a população atingida, esclarecê-la dos resultados de uma obra imensa de intervenção no centro da cidade e em um dos bairros mais tradicionais, através do qual se foi formando a identidade da nossa cidade? Sua história de Vida nos mostra que o Sr. toma decisões focado no coração, deixando aflorar a emoção, para então democraticamente agir com a razão. Sr. Prefeito por favor, não decepcione Campinas, não destrua a confiança depositada no Sr. e no seu exemplo de atitude, sempre privilegiando o Ser Humano e a sua legítima vontade de ser feliz, no espaço que escolheu para viver! Grata por sua atenção.
Maria da Piedade Eça de Almeida
Filósofa, pós graduada, Diretora da Escola de Governo de Campinas “Prof. Fábio K. Comparato”.






















Maria da Piedade estribada em seu espírito diplomático, faz uma quase denúncia, pois o mais correto é dizer que o burgomestre de plantão tem tomado no episódio medidas stalinistas. O nó da questão são os entrelaçamentos contábeis, o açodamento para aprovar um projeto que está para o Hélio como o pré sal está para o gnomo de boteco. Parabéns Piedade, escreveste polidamente o que os enclausurado$ sabem e não dizem
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