Por Raphael Curvo (*)
Antes de mais nada, quero dar o meu pesar a família Garcia Neto pelo acontecimento que a vida reserva a todos. O Governador Garcia Neto nasceu sergipano, mas viveu e morreu cuiabano. É, para nós cuiabanos, pena que não tenha sido de chapa também, mas não importa, foi um exemplo a todos os mato-grossenses com sua fibra e tenacidade e mais, altivez. Seguidamente boicotado pelo governo federal, traído nos objetivos de governo, mesmo assim o Engº Garcia Neto realizou uma administração que deixou bases aos sucessores para transformar Mato Grosso no estado de contínua evolução econômica e social. O tempo é o senhor da razão.
Em pesquisa realizada recentemente, alguns dados fundamentam bem o que tenho escrito, entre tantos outros, em vários artigos. Retratam a qualidade do ensino brasileiro e a situação cultural, especificamente o estado de Mato Grosso. Fica claro o nível de formação da população a qual, em sua maioria, têm muita dificuldade de análise ou mesmo entendimento do que se passa na política e na economia do Brasil. Aí está a “mina de ouro”, o ”filé” que o presidente mastiga todos os dias e que a oposição não consegue encontrar uma forma de anular os efeitos eleitorais dessa “degustação” presidencial.
Na pesquisa, fica-se sabendo que 53% dos pesquisados são analfabetos ou possuem no máximo apenas o ensino fundamental. Avalio, por outros índices de pesquisas no Brasil, que a taxa de analfabetos atinja cerca de 8 a 10% e aqueles que chegaram a 5ª série do ensino fundamental alcancem índice por volta de 30% aproximadamente. O restante, 13% chegou ao final do ensino fundamental. Pelo índice da fundação Ayrton Senna, de cada 10 crianças brasileiras, apenas 6 terminam a 5ª série do ensino fundamental e que apenas 3 terminam o ensino médio.
Estes dados iniciais servem para uma leitura do que anda acontecendo com a educação no Brasil. Mato Grosso está na linha da média educacional brasileira. É esta a razão de que apenas 14% da população pesquisada está em bancos universitários ou já possui um diploma. São dados alarmantes já que deveríamos ter pelo menos cerca de 30% nessa situação. Somos um estado novo e de grande prosperidade econômica. Não deixa de ser o retrato da administração pública, em todos os níveis, na área da educação. E o presidente “degusta” enquanto a oposição fica com água na boca, sem saber como tomar o prato do mandatário mor.
O desespero é que inverter o quadro com discursos econômicos, estradas, portos e aeroportos etc e tal, não tem o efeito esperado ante a cultura que possue a massa de eleitores. “Dois real” nos programas de distribuição de renda derrubam qualquer asfalto em ruas ou rodovias na hora do voto. Ao falar em universidade o povão pergunta “por quê estudar para ficar atrás do balcão”? Não é dado à ele a cultura de que a educação eleva o padrão do serviço prestado e que sendo assim, terá maior poder de produtividade e de melhora salarial ao longo da vida. É o mínimo que pode acontecer. É também a oportunidade de ter conhecimento dos acontecimentos na vida do País e dos governos, em todos os níveis com reflexos diretos sobre ele. É a oportunidade de deixar de fazer parte do gigantesco grupo controlado pelos governantes como “massa de manobra”.
Aliás, sobre massa de manobra o psicoterapeuta João Figueiró diz que dentro da massa, os indivíduos deixam de lado toda moral e ética que de uma maneira ou outra, servem como sistema de freios as ações impulsivas.
No caso do presidente, avalio pelas falas do psicoterapeuta, ele faz com que as circunstâncias, em razão do cargo e da condição dos ouvintes, acima descritas, atuem sobre o indivíduo e façam com que este indivíduo renuncie aos seus valores e embarque na proposta dos discursos políticos. E mais, pela fala do dr. João, entendo que isto é possível porque estão excluídos de percepção os valores, morais e éticos, do discurso e considera-se apenas o conteúdo, ou seja, todos tem direito a um carro, um telefone, melhor renda etc. Como no universo do Brasil a competição e ganhos materiais são a tônica, essa proposta de “guerra” oferecida pelo presidente de quem fez mais ou menos em governo, cai como uma luva no espírito de rivalidade. Aquela, como exemplo, do patrão e empregado.No caso de Mato Grosso, com boa renda per capita em relação a vários outros estados, esse discurso não tem lá seus efeitos, mas provocam estragos.
Antes de terminar, quero aqui lançar uma idéia aos membros do comitê da Copa do Mundo. Um patrimônio de Cuiabá está sendo vilipendiado, destruído por toda raça de vagabundos e nóias. É o prédio da antiga Receita Federal, lugar que fez parte da minha infância e por muitas vezes, da janela do apartamento do IAPTEC, ficava a admirar a sua beleza e imponência. Senhores do Comitê: que tal recupera-lo e transforma-lo em um centro integrado da administração do Comitê? Existem muitas empresas para dar apoio. Espaço é que não falta, até mesmo para treinamento de pessoal, cursos, recepções de visitantes, centro de trabalhos logísticos e por aí vai. Os membros terão, tenho certeza, sensibilidade para esta proposta, principalmente os amigos Agripino Bonilha, Roberto França e Yure Bastos Jorge. Degustem a idéia.
(*) Jornalista, advogado pela PUC-RIO e pós graduado pela Cândido Mendes-RJ






















Raphael a idéia é muito boa, mas devido ao “entrelaçamentos contábeis” da atualidade é inexequível. Oreste atenção na cadia alimentar: elaboração de projeto, desapropiação do terreno, licitação, obra propriamente dita. Sem esquecer dos estudos dos mais variados impactos, são gastos para todos os gostos. Tua idéia é muito “simplória”, para os dias em que vivemo$$$$
Denuncie se este comentário for inapropriado
Homens da têmpera de Garcia Neto faz falta ao Brasil, enquanto que os da têmpera de Lulalá estão sobrando, para nosso desencanto.
Denuncie se este comentário for inapropriado