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23 de novembro de 2009 às 18:02 hs.

Pedro Dória no Estadão: Censura, jornais, blogs e liberdade de expressão

Artigo do jornalista Pedro Dória, publicado hoje no caderno Link do coluna pedro dória estadão 231109Estadão, analisa os recentes casos de censura no país, mais especificamente a censura imposta aos blogs p&p e Página do E, e a censura ao Estadão, que completa hoje 115 dias. Para Dória, “Quando políticos recorrem à Justiça para censurar o livre fluxo de informação na sociedade, jornais e blogueiros, imprensa tradicional ou a nova imprensa, têm a mesma causa: é a da liberdade.”

Leia abaixo a íntegra do artigo:

Censura, jornais, blogs e liberdade de expressão

Por Pedro Dória

No último dia 10, o juiz Pedro Sakamoto, da 13ª Vara Cível, Mato Grosso, acolheu pedido de liminar contra dois blogueiros. Cobrava deles mais respeito com o deputado estadual José Riva (PP-MT) e pedia que alguns posts “ofensivos” fossem retirados do ar.

Riva, presidente da Assembleia Legislativa, tem 92 ações civis públicas por improbidade administrativa movidas contra ele; para não contar outras 17, por formação de quadrilha e peculato. O Ministério Público Estadual tem uma bela ficha do deputado, que está no comando da principal Casa Legislativa do Estado – seja como presidente, seja como primeiro secretário – faz 16 anos.

Segundo a interpretação da decisão que corre no Mato Grosso, os blogueiros podem listar secamente a lista de acusações contra o deputado. O que o juiz não deixa é opinar. Qualquer conclusão que tirem periga culminar de presto em R$ 500 de multa diária.

A Justiça brasileira acaba de inventar a democracia em que o cidadão não pode dizer livremente o que pensa sobre quem elegeu.

Os blogueiros condenados ao silêncio são a economista Adriana Vandoni, que assina o blog Prosa e Política, e o advogado Enock Cavalcanti, responsável pelo Página E.

O problema que os dois têm com o deputado certamente não é ideológico. Cavalcanti é militante do PT. O blog que Vandoni edita é de todo avesso às políticas do presidente Lula. Se estão em extremos distintos do arco ideológico, no entanto, sérias suspeitas de corrupção política parecem incomodar a ambos profundamente. Mas enunciar os adjetivos que lhes vêm a mente, não podem.

Nesta segunda-feira, hoje para quem lê a coluna nas páginas impressas, O Estado de S. Paulo completa 115 dias sob censura. Os casos não são iguais, mas similares. O jornal está proibido de listar o que sabe a respeito de uma investigação policial que envolve o presidente do Senado, José Sarney. O argumento, aqui, é que fere o segredo de Justiça.

Quando políticos recorrem à Justiça para censurar o livre fluxo de informação na sociedade, jornais e blogueiros, imprensa tradicional ou a nova imprensa, têm a mesma causa: é a da liberdade. Um povo só é realmente livre quando pode saber do que seus representantes eleitos são acusados e com base em quê; daí, tal liberdade se completa quando qualquer um pode subir no caixote de madeira e se manifestar publicamente, não importa com que adjetivos. Ninguém disse que democracia tem que ser sempre agradável para políticos.

É principalmente no interior, onde não há muita imprensa, que entra o poder libertário da internet, capaz de permitir a qualquer cidadão a capacidade de distribuir a informação que tem ou a opinião que estabeleceu.

Jornais pequenos, assim como blogueiros, sofrem particularmente com a censura judicial. Ela é uma forma de pressão econômica. Advogados e acesso aos tribunais superiores só vêm a um alto custo. A censura vira eterna.

Mas, e o caso do Estado o mostra, até a imprensa tradicional se vê refém neste processo. O Brasil tem uma democracia jovem. Não temos um equivalente à Primeira Emenda dos EUA, que proíbe que o Congresso legisle limites à liberdade de expressão.

A democracia dos EUA, aliás, a mais antiga do mundo moderno, foi erguida por cidadãos publicando livremente acusações comprovadas ou apenas insultos ao rei e a políticos. Não é à toa que, por lá, o princípio é sacrossanto.

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8 Respostas para “Pedro Dória no Estadão: Censura, jornais, blogs e liberdade de expressão”

  1. Manoel Bastos disse:

    Meu Deus….esse comentário foi perfeito !!

    “A Justiça brasileira acaba de inventar a democracia em que o cidadão não pode dizer livremente o que pensa sobre quem elegeu.”


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    • Fogo de lenha disse:

      Manoel, inventar ou “desinventar”???
      Alguém viu hoje a cena do ahmakicaraleodepalavradinejad sentado no trono central ao lado do nosso digníssimo calango humano José honorável Sarney?
      Quando é o Brasil vai sair da adolescência?


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      • Manoel Bastos disse:

        Sei lá….o Brasil foi colocado duas vezes no eixo. Uma após Jango, que se desse certo as maluquices dele e Brizola, teriamos paredão, presos politicos, mortes e uma Cubanização do Brasil. Se lá foram 17 mil no paredão, imagina aqui !! Quantas vidas foram salvas com o contragolpe militar ?
        A segunda vez por FHC, que parece ter tido uma clarividência após ler as verdades de Bob Campos e abriu o país um pouco, adotando assim-assim um tico de liberalismo, aquele regime que gera riquezas e os esquerdistas vivem querendo roubar…

        A zesquerdas são a porcada magra que agora roubam até as migalhas. Todo esquerdista é um fracassado invejoso do sucesso alheio, da riqueza alheia, daquilo que ele é incompetente para conseguir.
        A zesquerdas gostam de grandes ladrões, como Sarnozo, Barbalho e outros….com eles aprendem….e se antes confundiam a direita com ladrões, hoje eles os ombreiam com orgulho….


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  2. Lúcio Lopes disse:

    Adriana, enquanto durar a censura, adote a figura do artigo em substituição à sua foto.


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  3. Luiz Felipe disse:

    Uma coisa é liberdade DE imprensa, outra é liberdade DA imprensa… Infelizmente aqui no Brasil, onde os veículos de imprensa são comandados por um punhado de famílias, a imprensa sempre se sentiu imune a qualquer tipo de reprimenda quando avança ultrapassa os limites ou assume, ainda que de forma velada, contornos de partidarização.

    E esse papo de que a “liberdade de imprensa” nos EUA é algo sacrossanto é mais uma falácia. No blog “Vi o Mundo” do Azenha é possível achar um texto em que mostra a posição do governo Obama no trato a determinados veículos (ex. FoxNews) de imprensa, que, por terem assumido um caráter partidário, passou a ser tratado como um braço do Partido Republicano.

    A verdade é que atualmente a mídia tradicional perdeu sua força, frente o poder fiscalizador que a internet exerce sobre sua atividade, aí tudo vira motivo de chororô por parte dela. Vide o caso do Blog da Petrobrás, quando houve aquela reação patética dos jornalões.


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