PageRank

Publicado por Adriana Vandoni Acompanhe as respostas pelo RSS 2.0.


7 de novembro de 2009 às 11:01 hs.

América Latina retrô

Por Raphael Curvo (*)

A situação na América Latina está tomando ares do período do tratado de Tordesilhas. A disputa, que agora passa para o território político, está se direcionando, para o deleite dos fabricantes de armas, para o fértil campo de guerra. Não há como esconder isso. O varrido Chávez está aos poucos criando este estado de ânimo bélico na América do Sul, aliás, em todo continente latino americano, vide Honduras e Nicarágua.

Como um confronto com o Brasil é osso mais duro de roer, Chávez busca infiltrar-se com seus princípios, acobertados com a capa ideológica chamada “bolivariana”, seja lá o que isso signifique, nos pequenos e frágeis países de pouca densidade econômico cultural. É o caso da Bolívia, Honduras e Equador, com extensão à Nicarágua e outras ilhotas do Caribe. O projeto é de médio prazo, e os acontecimentos de fronteira provam isso, para justificar o rearmamento da Venezuela com objetivos iniciais, tal como Hitler com a Polônia, de invadir a pequena Guiana com justificativa de recuperação de território “tomado” da Nação venezuelana.

O avanço deste projeto está sendo contido pela economia em declínio da Venezuela. A situação lá é muito crítica. Está chegando o momento em que a inadimplência daquele País ante seus fornecedores irá forçar o apelo aos novos parceiros como iranianos, russos e chineses. Vai escancarar as portas à participação dessa “troupe” na economia venezuelana que hoje já passa fome e muita necessidade.

Um porém está correndo por fora desse “script” chavista. Não há outro consumidor maior que os Estados Unidos do produto básico de sua economia, o petróleo. E nem haverá. Soma-se a isso a busca por novas alternativas energéticas e a entrada futura do Brasil como um dos maiores fornecedores ao mercado mundial de petróleo, mercado este que, por essas razões, em pouco tempo apresentará declínio de ganhos e com isto, queda na produção.

O que restará a esses países da América Latina? Acredito que apenas fornecimento de mão de obra para as transnacionais que montam seus produtos de acordo com custos globais. Não existe por este lado do mundo, desenvolvimento de tecnologias de ponta. No Brasil ainda é muito incipiente a atuação nesta área apesar de campo com muita fertilidade para desenvolver, mas sem capacidade de gestão pelo governo e iniciativa privada.

O campo das manufaturas está em estagnação na área de projetos, tanto em razão do alto custo de investimentos, da fraca produção intelectual e de criação de novas tecnologias, como também falta de políticas consistentes e eficazes para a expansão industrial, a voracidade do fisco e redução de gastos públicos para canalizar investimentos em infraestrutura. Há o descaso com o setor produtivo do agronegócio que é a maior vocação do País e de futuro garantido ante o aumento das necessidades globais de alimentos que, em sua maioria, são exportados sem valores agregados.

Para se ter uma idéia de como andamos na economia, para descontos de duplicatas os bancos estão cobrando, segundo Celso Ming-Estadão, a bagatela de 40,4% ao ano. O crédito pessoal chega a escorchantes 44,7%, ou seja, trabalhamos para bancos e governo. Como não sonegar? A desculpa do “spread”, aquele percentual cobrado nos empréstimos como garantia da inadimplência, chega a absurdos 26% e nada é feito.

A grande sorte brasileira foi a atitude do Banco Central em comprar dólares, não como política de caixa, mas para segurar a desvalorização da moeda americana e consequente valorização do real. Esta ocorrência poderia destruir com o setor empresarial exportador brasileiro o qual está em retração ante a queda das exportações. Esta só vai se reerguer quando a economia americana começar a apresentar recuperação e consumir os produtos asiáticos, chineses principalmente e nipônicos, centros mundiais de manufaturas e de tecnologias de ponta.

Aqui pelo Brasil, apoiador de caudilhos à moda peronista, o nosso presidente vai engolindo a isca dos mais desenvolvidos e vez ou outra é agraciado com medalhas junto com personalidades mundiais de pequeno peso no cenário internacional. Com isso infla o seu ego e ganha chá das cinco com a rainha que, obviamente, está na defesa dos interesses britânicos tais como a própria Guiana, os jatos Rafale de bandeira francesa mas que usa peças inglesas e outras que aportaram e estão por aqui, algumas em busca do pré-sal. Há um medo geral, acima do equador, de que a fantasia bolivariana de Chávez acabe contaminando “o cara” e seus assessores, oriundos dos matinês de guerrilhas.

Enquanto o presidente colhe medalhas, apoios políticos, votos e por aí vai, com o dinheiro público, o Banco Central informa a forte deteriorização das contas públicas. Isto é o começo de resultado do engano de políticas econômicas do Ministro da Fazendo e seu chefe que trucidaram com os enunciados de John Maynard Keynes, ou seja, investiram pesado em despesas e não em investimentos promotores de desenvolvimento e crescimento econômico. É um processo da América Latina retrô.

(*) Jornalista, advogado pela PUC-RIO e pós graduado pela Cândido Mendes-RJ

   Envie este post por email Imprima este post

Tags:

Deixe uma resposta

Artigos 

Vagarosinhas: 

Últimos comentários

Tempo de censura do blog

Textos recentes  

Arquivados por Tags

Arquivo do Blog

setembro 2010
S T Q Q S S D
« ago «-»  
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930  

Pesquisa por Categoria

Pesquise o p&p no Google



Charges do blog


Alguns twitters


Sites e Blogs

Login / A reprodução de trechos deste site é permitida, desde que citada a fonte.