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5 de novembro de 2009 às 11:17 hs.

Artigo do Chico Bruno: É tudo verdade

Por Chico Bruno

Entre o dia 28 de outubro e 3 de novembro conferi o estado de saúde de trecho do Rio São Francisco que vai de Propriá, em Sergipe, até a foz em Piaçabuçu, Alagoas.

A jornalista Miriam Leitão está coberta de razão quando escreveu na terça-feira (3) em O Globo sobre a revitalização do Rio São Francisco.

“O presidente Lula viajou durante três dias pelas obras da transposição do Rio São Francisco. O que ele não viu? Que do total de um milhão de hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs) no rio, 700 mil estão degradados. A recuperação mal começou. É preciso plantar 27 milhões de mudas por ano, o Ministério da Integração prevê 1,5 milhão, 5% do necessário, mas só 200 mil estão sendo produzidas.”

Miriam conversou com quem está trabalhando para a proteção do rio e ficou inconsolável.

Segundo Miriam, Lula não viu a vasta tarefa ambiental que precisa ser feita para recuperá-lo dos maus tratos a que foi submetido há muitos anos e protegê-lo dos impactos da obra de transposição.

Miriam conversou com técnicos, enquanto o escriba papeou com os ribeirinhos de Propriá, Penedo e Piaçabuçu.

O assoreamento das margens e das ilhas do trecho percorrido é visível a olho nu, principalmente na maré baixa da foz.

A reclamação mais renitente é com o fim da pesca. Todos acusam a Chesf. Segundo os moradores, a estatal cometeu o erro de peixar o rio com tucunarés, um peixe predador importado da Região Amazônica.

Essa história é recorrente há muito tempo.

Para conferir a veracidade da informação conversei com Santiago, 86, dono da mais antiga pousada e restaurante, localizada as margens do rio em Piaçabuçu.

Santiago confirmou a informação: – A Chesf acabou com a vida no rio, disse.

Hoje, ele abastece o restaurante com peixes, camarões e mariscos comprados em Aracaju.

É triste, pois na década de 70, um dos passeios mais festejados do Nordeste era ir a Piaçabuçu comer uma pituzada com pirão.

Lula saiu menino de Caetés. Só voltou a pisar o solo nordestino na primeira campanha a presidente em 1989. Por isso, ele só conhece a região na retórica.

Encara o Nordeste com o discurso sulista de que a região sempre foi carente de tudo.

Talvez por isso, ele não saiba que existe muita água represada na região precisando de adução para servir ao consumo humano dos nordestinos do Polígono das Secas.

Vale lembrar a excelência presidencial, que quando D.Pedro lançou a idéia da transposição, o Rio São Francisco não sonhava que um dia conviveria com os malefícios das hidrelétricas de Xingó, Itaparica, Paulo Afonso, Sobradinho e dos grandes projetos de irrigação.

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1 Resposta para “Artigo do Chico Bruno: É tudo verdade”

  1. Lúcio Lopes disse:

    Como se Lula soubesse de alguma coisa!
    As poucas que sabe, diz que não sabe!
    O que Lula não tem dúvida é que de uma obra deste porte sobra uma grana inimaginável para a petralhada.
    O rio está com seus dias contados?
    E qual a importância disto?
    Daqui a vinte anos ninguém se lembrará das dezenas de bilhões que Lula jogou no esgoto deste rio!
    O importante é que das grandes obras públicas é que se constituem as grandes fortunas privadas!
    Sarney também teve a sua “transposição”, a Norte-Sul – bem no finalzinho de seu governo – onde o preço por km de ferrovia custou seis vezes o preço normal.


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